Universidade rima com Neurodiversidade
Considerando a grande incidência de pessoas com transtornos do desenvolvimento neurológico, incluindo estudantes que frequentemente enfrentam desafios únicos em seu percurso acadêmico ou colocação profissional, além dos preconceitos capacitistas que afetam o moral dessas pessoas, tem-se neste projeto de extensão como objetivo geral promover a inclusão que respeite e integre as particularidades de pessoas neurodivergentes, estendendo a cultura de inclusão ao público interno e externo com a participação de discentes, docentes, técnicos-administrativos em educação e demais colaboradores do projeto.
A consciência e o reconhecimento sobre as diferenças neurobiológicas e/ou psíquicas nas dimensões que afetam a cognição, o comportamento, as competências e os direitos deste público pretendem trazer contribuições tanto nos aspectos que envolvem os princípios formação cidadã como nos três eixos fundamentais defendidos pela universidade: graduação, pesquisa e extensão.
Objetivos específicos:
(A) Aculturamento: Proporcionar à comunidade acadêmica e externa um entendimento efetivo claro sobre conceitos como neurodivergência, psicodivergência e outras condições que afetam pessoas diagnosticadas com TEA e TDAH entre outras condições; o aculturamento se dará por meio de estudos, discussões, palestras, seminários e outros mecanismos, buscando a compreensão não só dos conceitos, mas das limitações e das potencialidades que tais condições proporcionam aos indivíduos.
(B) Canal de escuta e discussão: Criar um espaço contínuo de escuta ativa para discentes, docentes e TAEs, bem como seus familiares e amigos, ou qualquer pessoa da comunidade que seja diretamente ou indiretamente afetada por condições neurodivergentes e afetações de diferentes ordens, favorecendo o compartilhamento de experiências e dificuldades, bem como incentivando, criando e promovendo uma melhor integração. É importante observar que não se trata aqui de oferecer terapia por meio desta ação, mas de criar um espaço de apoio dentro da estrutura acadêmica.
(C) Fórum para discussões e proposições: Discutir e divulgar notícias que promovam maior aculturamento sobre questões como: (i) fundamentos sobre as diferenças e semelhanças entre pessoas identificadas como neurotípicas e neurodivergentes; (ii) ocorrências que envolvem dificuldades e/ou conquistas de pessoas neurodivergentes; (iii) comorbidades típicas que atingem comumente pessoas neurodivergentes; (iv) comportamento que dificultam ou promovem a inclusão neste contexto.
(D) Identificação de barreiras e elaboração de propostas para a integração: promover discussões e mesas redondas entre estudantes, professores, TAEs de diferentes cursos e departamentos, além de envolver profissionais externos, no intuito de elaborar propostas e políticas de inclusão racionais para pessoas consideradas neurodivergentes, contribuindo igualmente com a difusão desta cultura na sociedade, tanto por meio da formação como pela via das ações de extensão desenvolvidas no seio da universidade.
(E) Informações e orientações gerais sobre como obter diagnósticos e terapias: Discutir e trazer para mesas redondas e seminários profissionais que permitam o entendimento sobre como os diagnósticos são feitos, quais as limitações de cada categoria de diagnóstico, quais são os tratamentos e terapias disponíveis, bem como suas limitações. Aprender também sobre a divergência de visão sobre estas terapias e diagnósticos entre diferentes profissionais que atuam no contexto da saúde mental.
(F) Incentivo à pesquisa e à inovação sobre aspectos ligados ao TEA, TDAH e outras condições: aprender como a ciência evoluiu ao longo dos anos para o entendimento das diferentes condições, favorecendo os espaços para contribuição da universidade em termos de graduação, pesquisa e extensão nesta perspectiva. Incentivar projetos interdisciplinares que se alinhem com os princípios de inclusão e integração, valorizando e entrelaçando contribuições de disciplinas das Engenharias, Computação, Psicologia, Medicina, Direito, Educação entre outras áreas.
(G) Combate ao preconceito, sensibilização e formação da comunidade acadêmica para reconhecer que nem todas as diferenças derivam da falta de esforço: propor oficinas e treinamentos que capacitem ou, no mínimo, introduzam os envolvidos a lidar com as necessidades específicas de pessoas neurodivergentes, incluindo um espaço específico para pensar sobre os estudantes que se enquadrem nesse diagnóstico.
(H) Aprendizado sobre direitos e leis e proteções relativas à apropriação comercial da neurodiversidade: Conhecimento sobre as leis e entendimento dos direitos e deveres de pessoas neurodivergentes no Brasil e em outros países; desenvolvimento da consciência e da necessidade de proteção contra a exploração econômica que frequentemente se apresenta diante de situações de sofrimento de pessoas diagnosticadas e de suas famílias.
